Pobreza Relacional, Isolamento e Amizade

Quando refletimos sobre a pobreza, os primeiros pensamentos a relacionam com a condição material da vida humana, especificamente com a falta de condições de levar uma vida minimamente digna. Na realidade existem outras formas de pobreza com as quais o ser humano emfrenta. Em nosso entendimento são quatro no total:

A primeira é exatamente a pobreza material, que envolve a falta de atendimento ás necessidades básicas de sobrevivência do ser humano, normalmente resultado da desigualdade social. 

Uma segunda forma é representada pela pobreza relacional, que aparece no momento em que procuramos ocupar uma posição dentro do grupo social ao qual pertencemos, para preencher as necessidades de contato humano.  

A terceira é a pobreza moral, identificada pela falta de valores ou a prática de valores errados, que está principalmente relacionada com o processo de educacional familiar.

 A última delas é a pobreza espiritual, relacionada com a capacidade ou não de definir e seguir “caminhos” coerentes durante a vida. Esses caminhos podem ser resultado de valores adquiridos, crenças religiosas ou de outras estruturas comportamentais.    

Nestes tempos de isolamento, a capacidade relacional, ou em palavras mais simples o círculo de amigos, tem um papel muito importante. A relação não amorosa entre duas pessoas, de igual ou diferente sexo, tem alguns estágios de profundidade diferente:   

Do primeiro estágio, participam os contatos que chamamos de formais, aqueles derivados de encontros com troca de informações sobre assuntos não pessoais tais como esporte, catástrofes, moda, trabalho, etc; e que acontecem em lugares públicos. 

Logo após se podem definir como conhecidos, os contatos que pertencem a uma relação que se estende ao círculo próximo de cada uma das partes (família, namorado/a, outros similares), e transcorre em sessões mais prolongadas na residência de um ou do outro ou em viagens/passeios comuns. Os assuntos passam a ser mais amplos e opiniões pessoais são também emitidas. 

Caso exista convergência na maioria dessas opiniões, é possível o aprofundamento da relação para se chegar ao estágio da amizade. Neste estágio, ao conteúdo dos anteriores se agregam agora a manifestação de sentimentos pessoais, o relato de problemas, de projetos, de desejos e outros aspectos mais íntimos.

A nomeação artificial de “amigos” dada pelas redes sociais é colocada a prova quando verificamos que, após um certo período de isolamento, as necessidades de relacionamento são preenchidas somente por alguns daqueles trezentos ou mais contatos que constam da listagem que a rede social nos mostra. É provável que quanto mais contatos se encaixem neste estágio, a pobreza relacional menor será e o isolamento transcorra de uma forma um pouco mais interessante. 

A definição do que significa “amigo”, permanece a mesma como é a muitas gerações.

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