O verão começa com uma brisa diferente na França

No último domingo foi realizado o segundo turno das eleições municipais na França, com a vitória de dimensão inesperada do partido verde. O governo atual do presidente E.Macron foi derrotado nas principais cidades do país, que serão conduzidas agora pela coalisão formada entre verdes e socialistas. Eles elegeram a continuidade da socialista Anne Hidalgo em Paris, enquanto que em grandes cidades como   Lyon, Bordeaux, Strasbourg e provavelmente também em Marseille, os verdes terão a liderança.

A origem do movimento verde se remonta a 1970, quando organizações estudantis realizavam protestos em importantes países europeus como Áustria, Alemanha e França entre outros, contra projetos que agrediam o meio ambiente; como a construção de usinas nucleares. Na época as bandeiras defendidas eram: ecologia, paz e direitos das mulheres e o movimento era qualificado pela imprensa como radical. Em 1980 e 1984 foram fundados oficialmente os partidos verdes na Alemanha e França. 

A partir de 1983 na Alemanha e uns dez anos depois na França, eles começam a participar dos governos em posições de segundo escalão em áreas ligadas a proteção ambiental e seu crescimento eleitoral em ambos países aumenta lentamente até na presente década chegar ao redor dos 15%. Na Alemanha se espera que os verdes concorram a sucessão de A.Merkel com candidato próprio em futuro próximo. 

A interpretação dos resultados da eleição na França parece representar desejos fortes de mudança, principalmente após a paralização do projeto do presidente E.Macron  (“La Republique em Marche”); que não consegue sair do papel. Uma outra consequência muito positiva para a democracia, é que a direita populista dirigida pela família Le Pen não é mais a única oposição ao governo, sendo agora inclusive superada pela nova corrente dos verdes.             

As bandeiras atuais defendidas e que parecem agradar a população francesa são: visão interna (porém aberta ao mundo), proteção climática, menor desigualdade e agricultura ecológica. Naturalmente que haverá que aguardar algum tempo para verificar a competência para governar que será mostrada pelos novos políticos, já que se trata da primeira experiência de grande porte dos mesmos. Há de se considerar que na França as prefeituras são consideradas muito importantes em comparação com outros órgãos do governo. 

Versões do partido verde existem em muitos países do mundo. Na Europa eles tem representação própria no parlamento europeu desde 2004 quando 29 países fundaram o Partido Verde Europeu. A partir de agora poderá se ver na prática a orientação política do partido verde na França, que se prevê seja próxima a uma social democracia com acentuada componente humanística. O momento pós pandemia é apropriado para comprovar até onde a humanidade poderá alterar em algo seu comportamento. De qualquer forma, considerando a pobreza do nível de governança em muitos países,  abre-se uma nova pequena fresta de esperança no mundo.   

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