O difícil caminho das escolhas certas e o planejamento de carreira

O objetivo de se alcançar evolução social e econômica através da conquista de um diploma de educação técnica ou superior é racional, válido e justo para qualquer pessoa. Principalmente nos países em desenvolvimento, o diploma representa uma alternativa real para muitos jovens.

Mas antes de percorrer esse caminho, o passo mais importante é a escolha da profissão certa, decisão que muitas vezes precisa ser tomada em uma idade em que ainda não se tem a certeza do que se deseja fazer no futuro. E um erro de escolha pode significar uma grande perda de tempo se for necessário mudar de estudo e recomeçar do início. As consequências ainda podem ser graves em um mercado de trabalho que convive com desenvolvimentos tecnológicos muito rápidos e frequentes, fato que conduz as empresas considerarem um profissional de idade média –  entre 40 e 50 anos –, já situado em período de obsolescência. 

No decorrer da vida profissional cheguei ao convencimento que aquilo que estudamos ao longo de anos de ensino superior são entre 50% e 70% de informações que jamais utilizamos. São conteúdos recebidos que não viraram conhecimento porque jamais foram colocados em prática. Existe, portanto, a necessidade de mudar os sistemas de ensino, um movimento que já está acontecendo em vários países. 

Uma alternativa para enfrentar essa situação me parece ser a de escolher estudos tão segmentados quanto possível, pelo menos nas profissões que permitem isso. Poderia ser um começo com uma base de administração e depois migrar para uma especialização, por exemplo. Ou se formar como técnico, para depois estudar engenharia, contando com o aproveitamento de parte das disciplinas. Esta estratégia permite se ajustar melhor as mudanças do mercado e se redirecionar caso seja necessário. 

Irei escolher esta última opção para transmitir uma metodologia que construí e utilizei inúmeras vezes na orientação de jovens colaboradores. Ela considera a escolha da profissão como inicial e básica, para tratar depois das etapas de estudo e trabalho no formato de um plano de carreira.  

Tudo se inicia com a identificação dos desejos daquilo que se gostaria de alcançar em um futuro de médio e longo prazo na vida pessoal e profissional, possivelmente em duas etapas:  primeiro para chegar ao ponto alto da carreira (estimada entre os 35 e 45 anos) e depois com o planejamento da fase final da vida profissional. Isso não significa que essas afirmações e diretrizes não possam mais tarde serem reconsideradas. 

Para trilhar esse caminho, podem ser utilizadas ferramentas vindas da psicologia, que combinam rasgos individuais da personalidade com as características de atitude e comportamento básicas requeridas pelas diferentes atividades profissionais, procurando encontrar os pontos de aderência entre os dois mundos. Sugestões para escolha da profissão se derivam destas análises. Sempre lembrando que são aproximações, sujeitas à avaliação e interesse do próprio interessado. 

Para uma profissão “candidata” para ser escolhida é necessário pesquisar se existirá mercado e como ela se desenvolverá nos próximos dez anos pelo menos. Se a pessoa resolve escolher tecnologia da informação, por exemplo, e as características pessoais apontam para o desenvolvimento de produtos como atividade adequada, é preciso investigar se o mercado oferecerá oportunidades para isso dentro de um período futuro definido. 

Plano de carreira em 10 anos

No esquema acima, descrevo a sugestão de plano de carreira em dez anos, dividida em dois campos – trabalho e estudo. Este é um planejamento macro, que deve ser detalhado num nível maior de profundidade considerando todas as variantes de cada perfil profissional. Uma versão detalhada deve resultar numa centena de objetivos a serem alcançados no período.  

Compartilho abaixo alguns detalhes a mais de cada uma das etapas nesse plano sugerido:

1.Curso técnico: período de formação técnica inicial.

2.Idioma: fase inicial de estudo de idioma, em princípio o mais adequado e aderente com a profissão escolhida, normalmente o inglês.  

3.Empresa A: empresa para estagiar que deve ser escolhida prioritariamente pelas possibilidades de aprendizagem básica que ofereça e sua aderência com a profissão escolhida.

4.Especialização 1: em fase de conclusão ou já concluído o curso técnico, é aconselhável continuar com os estudos. Deve-se escolher uma especialização que reforce os conhecimentos adquiridos ou que agregue novos conhecimentos dentro da vertente profissional escolhida.  

5.Empresa B: após a formação como técnico deve se procurar o primeiro emprego profissional. O objetivo é escolher uma empresa que ofereça condições de se aprender a profissão na prática. Não precisa ser uma grande ou importante empresa, imprescindível é que ofereça boas condições de aprendizagem. O período de permanência deve ser entre um e dois anos.

6.Idioma no exterior: é recomendável não abandonar o estudo de idioma, mesmo não tendo a possiblidade de praticar no dia a dia. Neste momento da carreira uma imersão é altamente recomendável. Se for no exterior, melhor ainda. 

7.Curso Superior: indica-se iniciar o curso superior após seis meses de concluído o curso técnico. É importante considerar o aproveitamento de disciplinas técnicas cursadas e a escolha de cursos de arquitetura tão distribuída quanto possível. Um mês de estudo de línguas na forma de imersão no exterior vale por dois anos de cursos locais.

8.Participação em associações e grupos de trabalho: faz parte da construção do nome e personalidade profissional marcar presença em associações e grupos de trabalho técnico relativos a profissão, uma atividade que deverá ser mantida durante toda a vida profissional.

9.Produção de artigos: com o mesmo objetivo do item anterior, escolher o assunto onde se sentir mais seguro e investir em pesquisa para desenvolver pequenos temas que integrem o conteúdo. É o momento de iniciar a formação da rede de relacionamentos profissionais.  

10.Empresa C: este é o momento de estudar a transferência para uma empresa que ocupe alguma posição de liderança no mercado e que, ao ser líder, certamente utiliza tecnologias no estado de arte do mercado, ou que irá significar uma nova evolução na profissão escolhida. Se a empresa atual já preenche essas qualificações, então é possível permanecer mais tempo nela, porém uma troca de emprego sempre vai acrescer conhecimentos novos, que serão importantes no futuro. A permanência numa única empresa por muitos anos em início de carreira não é recomendável nos tempos atuais porque limita a experiência do profissional. 

11.Idioma: o aperfeiçoamento do idioma não deve ser descontinuado nunca, mas principalmente nos dez primeiros anos de profissão. 

12.Especialização 2: por volta do primeiro ano de estadia na terceira empresa (líder de mercado) é interessante estar se concluindo a segunda especialização. Neste caso, pode ser uma pós-graduação na profissão escolhida ou numa vertente técnica importante que não se domina totalmente.

13.Estágio no exterior: a partir deste momento, através da empresa atual ou da próxima (D), deve-se tentar um estágio no exterior. Isto será muito relevante num momento em que a vida profissional se aproxima do período decisivo.

14.Empresa D: provavelmente a procura por esta empresa é o objetivo estratégico mais importante do plano de carreira, porque trata de encontrar aquela que será o destino final da carreira profissional. É nela onde serão utilizadas as competências que foram sendo construídas nos anos anteriores. O critério de escolha terá de ser definido naquele momento, sendo que dois fatores serão sempre determinantes: liderança de mercado ou que a companhia tenha planos para tal em curto espaço de tempo. 

15.ESCOLHA Y: se não aconteceu antes, este é o momento apropriado de tomar uma decisão fundamental para o futuro: qual o tipo de atividade que mais satisfaz e que também significa a melhor realização profissional? Costuma-se utilizar o modelo Y para esta decisão profissional, que levará o profissional para uma destas três direções:

– a liderança de equipe, com forte concentração em atividades de gestão de pessoas;

– a especialização mais forte em algum conjunto de conhecimentos técnicos;

– uma posição de alto nível que reúna ambos requisitos.

Para aumentar as chances de sucesso e participar da média ou alta administração de uma empresa, tem que existir o reconhecimento por alguma competência claramente identificável. Cargos importantes para serem ocupados por profissionais generalistas (terceiro direcionamento acima mencionado) são poucos nas empresas.  

16.Especialização 3: logo após tomar a decisão Y e identificar o cargo objetivo, é necessário procurar um estudo complementar na formação para aumentar as chances de acesso a posição, como uma pós-graduação, MBA ou mestrado, por exemplo. O relacionamento dentro da empresa passa a ser fundamental nesse período, no qual deve se ganhar a confiança da alta administração e mostrar competências técnicas.

17.Cargo: este resulta ser o objetivo final do plano de carreira, que é alcançar uma posição hierárquica adequada (gerencia – alta gerencia – diretoria), numa empresa relevante e desenvolver atividades que satisfazem ao perfil pessoal, para se ter o mais agradável e satisfatório nível de vida possível.

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