As diferenças de gênero no mundo.

O Global Gender Gap Report 2020 (Relatório global de diferenças de gênero) é uma pesquisa elaborada pelo World Economic Forum (Fórum Económico Mundial), organização privada sem fins lucrativos, fundada em 1971 e que tem sede em Genebra-Suíça. Não se trata de uma pesquisa direta com pessoas físicas, senão uma coleta de resultados obtidos em estatísticas de organizações internacionais e entrevistas com especialistas no assunto. 

A metodologia é utilizada desde 2006, data da primeira pesquisa e tem com o objetivo de avaliar a posição do gênero feminino em relação ao masculino, em 153 países em 4 aspectos diferentes:

  • Participação económica e em oportunidades de negócios
  • Saúde e longevidade
  • Educação
  • Participação na política  

Em geral o relatório verifica avanços na diminuição das diferenças de gênero nos assuntos levantados, entre 2006 e 2019. Considerando todos os aspectos e o contexto analisado, conclui que o posicionamento feminino alcança 68,6%, o que sinaliza a existência de uma diferença de 31,4% entre ambos. 

Analisando individualmente os 4 diferentes aspectos, o gênero feminino aparece como menos representado no assunto “Participação na Política”, que alcançou o percentual de apenas 24,7% na média. Interessante observar a posição das duas grandes economias do planeta: 86º. USA 0,164 e 95º. China 0,154. 

PosiçãoPaisPontuação
1Islândia0,701
2Noruega0,598
22Argentina0,387
33Colômbia0,318
36Chile0,307
42Uruguai0,274
104Brasil0,133

Em “Saúde e Longevidade” a pesquisa verifica a existência de  39 países com a elevada nota 0,980; entre os quais estão incluídos Argentina, Brasil, Colômbia e Uruguai. Observando novamente as duas grandes economias: 70º. USA (com um sistema de saúde que é bastante desigual para uma economia desse porte) e 153º. China na posição de lanterna. O leitor pode observar como a situação econômica nem sempre está diretamente relacionada com a qualidade de vida, neste caso nos aspectos saúde e longevidade aqui pesquisados.     

No aspecto “Educação” 25 países não apresentam mais diferenças, entre os quais a Colômbia está presente. Mais três se colocam razoavelmente bem neste assunto: 28. Uruguai; 30. Chile e em 35. Brasil. Argentina aparece em 64º., USA em 34º. e China em 100º.

O quarto aspecto analisado foi “Participação económica e em oportunidades de negócios”. Os países da região ficam bastante relegados devido as diferenças salarias de gênero ainda vigentes. As grandes potências económicas se posicionam: 26º USA e 91º China. 

PosiçãoPaisPontuação
42Colômbia0,735
64Uruguai0,696
89Brasil0,653
103Argentina0,623
111Chile0,608

Neste último assunto, a presença feminina cai no mundo laboral na medida em que a hierarquia dos cargos aumenta. Em cargos de nível “sênior” alcança 36% e em cargos gerenciais apenas 18,2%. Os índices alcançados pelas mulheres também são menores porque se constatou que em aplicação de dinheiro, elas não colocam tanta dedicação como os homens. 

Nas avaliações relacionadas com “Educação”, mesmo não prevista esta medição, fica claro que em muitos países as mulheres já alcançam níveis educacionais maiores do que os homens.   

O gráfico seguinte mostra a evolução dos índices desde o início da pesquisa.

O número de anos faltantes para eliminar as diferenças se baseia no comportamento dos números no passado e, em nossa opinião, é uma informação que não faz muito sentido. Os dois assuntos onde mais se avançou (Educação e Saúde e Longevidade) são perfeitamente compreensíveis quanto ao fato de que não deveria existir diferenças entre os gêneros. 

E quanto aos outros dois? Será que o “machismo” sempre impediu o aumento de interesse das mulheres no trato com o dinheiro ou a participação em política? Será que uma diferença entre os gêneros não é justificada precisamente pela diferença de gênero? Parecem ser assuntos que somente as novas gerações poderiam responder.

A pesquisa é muito extensa e detalhada, inclusive por país e se encontra disponível para download. Fornece também perspectivas do que pode acontecer no futuro no tema. A quem interessar possa, lhe desejamos boa leitura. 

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